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Barbeiro de Siviglia
John Rawnsley - Largo al factotum
Gioacchino Antonio Rossini nasceu em Pesaro a
29 de fevereiro (ou 2 de março) de 1792.
Dificilmente teria outra carreira a seguir:
era filho de um trompista e de uma cantora.
Nos primeiros anos de vida já cantava bem e
tocava trompa. Antes da adolescência, subiu
ao palco para cantar óperas.Depois de
estudos musicais bastante precários em
Bolonha - onde escreveu alguns quartetos para
cordas no estilo de Haydn - dedicou-se
inteiramente ao teatro. Aos dezoito anos,
escreveu uma comédia em um ato. Nem bem
estreara sua primeira obra, 'La Cambiale di
Matrimonio', começou a atender a encomendas
de teatros de Ferrara, Veneza e Milão. O
exigente público milanês consagrou, em
1812, a ópera 'La Pietra del Paragone'
Rossini, embora jovem, passou a ser
respeitado como um grande compositor. Não
poderia ser diferente: em apenas dezesseis
meses escreveu sete óperas, seis delas
cômicas. No ano seguinte, seu trabalho foi
reconhecido internacionalmente. A principal
peça deste perÃodo é a dramática Tancredo
(1813). Foi a farsa cômica A italiana em
Argel, também composta nessa fase, que
Rossini se tornou conhecido como um
compositor ousado, fundindo expressão
lÃrica e recursos dramáticos com a melodia
lÃmpida e harmonia rica.
Mas a carreira de Rossini também
experimentou algumas ondulações. Depois da
brilhante etapa de estréias, produziu
composições para Milão que desagradaram os
crÃticos. Transferiu-se para Nápoles - onde
escreveu Otello - para dirigir o teatro São
Carlos, onde, sob contrato, tinha que compor
dramas, mas conseguiu permissão para
continuar escrevendo sob encomenda. A partir
de 1815, sob contrato com Barbaja,
empresário do teatro Scala de Milão, da
Ópera Italiana, de Viena e Nápoles, compôs
durante oito anos nada menos que vinte
óperas.
Os italianos queriam uma comédia diferente,
e Rossini fez, em treze dias, O barbeiro de
Sevilha, cuja estréia, em Roma, a 26 de
dezembro de 1816, foi vaiada; mas a partir da
segunda apresentação, no dia seguinte,
tornou-se o maior sucesso de toda a história
do teatro musical, na Itália e no
estrangeiro. Rossini tornou-se o autor de
óperas mais representadas na Europa e o
compositor mais célebre de sua época,
preferido pelo grande público ao seu
contemporâneo Beethoven, o qual conheceu em
Viena. Falava-se de 'febre rossinesca'.
Rossini considerava Maria Malibran, a melhor
cantora da época. Mas casou-se com uma outra
soprano importante, Isabella Colbran, e
voltou com ela para Bolonha. Antes disso,
conseguiu uma façanha: acabou com as
aberturas tradicionais dos espetáculos de
ópera, muito longas e distantes da trama.
Devido o enorme sucesso de Semiramis, foi
convidado a morar em Londres onde, em menos
de cinco meses, ganhou a importante soma de
7.000 libras.
Em 1823 aceitou um vantajoso contrato
permanente com a Ópera de Paris, onde passou
a residir e chegou a exercer altas funções
honorificas, sendo entusiasticamente
festejado. Compôs Guilherme Tell, a mais
bela e mais completa manifestação do gênio
de Rossini. Recebeu do rei da França os
cargos de primeiro compositor do rei, e
inspetor geral de canto, percebendo um
salário de 20.000 francos anuais.
Privilegiado pela facilidade de
improvisação, esbanjou o seu talento
comerciando a sua arte.
Mas depois da revolução de julho de 1830 e
dos primeiros sucessos de Meyerbeer, Rossini
abandonou a capital francesa e a composição
de óperas. Estava muito doente. A beira de
um colapso nervoso, voltou para Bolonha. Só
escreveu em 1832, um Stabat Mater, música
sem muita importância, operÃstica, que no
entanto encontra até hoje admiradores, e uma
missa que é bastante melhor.
Perdeu a esposa em 1845 e, depois se casou
com Olympe Pélissier, mulher que reunia a
elite cultural em sua casa de Paris. Ela
cuidou dele durante quinze anos, perÃodo em
que quase não criou nada de importante.
Em 1855 estava, de novo, em Paris, curado e
ansioso para voltar a produzir. Compôs
várias peças para piano e vozes, sempre com
requinte. Rossini passou o resto da vida no
ócio, dedicado aos prazeres da mesa, famoso
por suas frases espirituosas e maliciosas,
vindo a morrer em Paris a 13 de novembro de
1868, aproveitando as delÃcias da fama.
Óperas cômicas - A alegre ópera A italiana
em Argel (1813) foi eclipsada pelo sucesso
enorme de O barbeiro de Sevilha (1816), que
é até hoje a ópera mais representada na
Itália e muito exibida no estrangeiro:
merece isso pela verve da abertura e das
árias, e pelo efeito irresistÃvel das cenas
cômicas. De Cinderela (1817), que é
musicalmente mais séria, só sobrevivem
algumas árias, modelos de bel canto, e de A
pega ladra (1817) só a abertura.
A música dessas obras é muito divertida,
sem seriedade nenhuma, mas excelentemente
adaptadas ao texto e, sobretudo, à ação
dos cantores no palco. A contribuição
principal de Rossini para a música de ópera
é a exploração do elemento histriônico.
Óperas sérias - No entanto, a ambição de
Rossini foi a ópera séria, trágica, para a
qual não tinha o mesmo talento. É digno de
nota o fato de que as aberturas de suas
óperas sérias poderiam muito bem figurar
como introduções a óperas cômicas. Mas na
época, Tancredo (1813) foi muito admirada,
mais ainda Moisés no Egito (1818), que se
afigurava aos contemporâneos espécie de
oratório no palco. Mas também não se
cansaram de ouvir Otello (1816) e Semiramis
(1823), hoje totalmente esquecidos. Só A
dona do lago (1824) teve, imerecidamente,
menos sucesso.
A grande obra séria de Rossini é a sua
última ópera: Guilherme Tell (1829). A
abertura é realmente um bom trecho de
música. Mas na própria ópera, a "luta pela
liberdade" parece-nos hoje travada como por
soldados de chumbo. Os italianos, porém,
descobriram e descobrem nessa obra os
primeiros sinais do Risorgimento.
O sucesso de Rossini - Guilherme Tell, assim
interpretado, é uma exceção. A música de
Rossini acompanha a época da Restauração,
entre 1815 e 1830, e foi o divertimento
predileto de uma sociedade frÃvola e
deliberadamente apolÃtica. É por isso que
Rossini conquistou triunfalmente a Europa, um
"Napoleão da música", como disse Stendhal,
que cometeu o erro de colocá-lo na mesma
altura de Mozart. Balzac também o
considerava o maior músico de todos os
tempos, elogio que depois de 1830 já não
tinha sentido.
Fonte:
http://www.classicos.hpg.ig.com.br/index2.htm
Il Barbiere di Siviglia (em port. O Barbeiro
de Sevilha) é uma ópera cômica em dois
atos de Gioacchino Rossini e libreto de
Cesare Sterbini, com base na peça homônima
de Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais (Le
Barbier de Séville). Estreou no Teatro
Argentina, em Roma, em 20 de Fevereiro de
1816. Uma ópera homônima também foi
composta alguns anos antes por Giovanni
Paisiello e por algum tempo teve mais êxito
do que a de Rossini. Porém, somente a de
Rossini permaneceu como parte do repertório
moderno.
Primeiro ato
Amanhece. Diante da janela da jovem Rosina, o
Conde Almaviva - que desconhece seu nome -
faz uma serenata. Ela não responde. O Conde
ouve ao longe a voz de um homem solitário a
cantar: é o barbeiro FÃgaro, amigo do
conde, que estranha o fato de vê-lo longe de
casa a essa hora. Almaviva diz a FÃgaro que
está por aquela região a fim de cortejar a
mão da "filha do médico" que mora naquela
casa (embora Rosina seja, na verdade, sua
tutelada). FÃgaro, sendo prestativo a
qualquer tipo de serviço, coloca-se Ã
disposição para ajudá-lo. Ambos ouvem Don
Bartolo, o tutor de Rosina, dizer de dentro
de casa que vai sair e que se Don BasÃlio,
professor de música de Rosina e
casamenteiro, chegar, é para fazê-lo
esperar. Na verdade, Don Bartolo quer se
casar com Rosina. FÃgaro, então, propõe ao
conde conseguir-lhe um disfarce, para poder
entrar na casa de Rosina.
Bartolo e BasÃlio, enquanto isso, discutem
uma forma de eliminar o conde e chegam Ã
conclusão que o melhor a fazer é elaborar
um contrato de casamento e assiná-lo no
mesmo dia. FÃgaro, que ouviu tudo, avisa
Rosina de que Bartolo que se casar com ela e
lhe avisa de seu primo Lindoro, um estudante
que se apaixonou por ela - na verdade,
"Lindoro" é o pseudônimo usado pelo conde
Almaviva para se aproximar dela. Rosina fica
ansiosa e lhe escreve um bilhete. Bartolo
entra surpreende FÃgaro e Rosina, já
desconfiado das tramóias que eles estão
fazendo, e mantém Rosina de castigo, presa
no quarto.
Entra um policial (o conde Almaviva,
disfarçado), e desafia Bartolo para uma
luta. Bartolo vê que ele está passando um
pedaço de papel a Rosina e exige vê-lo.
Rosina troca os papéis e, quando Bartolo
pega, o que vê é uma lista de lavanderia.
Bartolo e o "policial" começam a discutir,
embora FÃgaro tente apaziguá-los, dizendo
que os berros podem ser ouvidos na cidade
inteira. Entra um policial de verdade, mas
não consegue apurar o que está havendo e
vai embora.
Segundo ato
Bartolo suspeita de que o policial é um
espião do conde. Entra um jovem cognominado
"Don Alonso" (novamente, o conde
disfarçado), avisando que BasÃlio estava
doente e não podia dar aulas a Rosina, por
isso veio em seu lugar. Avisa-lhe que
alguém, chamado "Conde Almaviva", o está
enganando e mostra-lhe a carta de Rosina como
prova, e solicita falar a sós com Rosina.
Bartolo concede. Rosina reconhece "Don
Alonso" como Lindoro disfarçado, e iniciam a
aula de música, enquanto Bartolo descansa.
FÃgaro chega no fim da aula, e Bartolo exige
explicações. FÃgaro disse que estava na
hora de fazer a barba, e Bartolo lhe entrega
as chaves para pegar a navalha e a toalha.
FÃgaro retira uma das chaves do molho, Ã s
escondidas. Don Basilio aparece, para espanto
de todos, e FÃgaro e o conde (disfarçado)
tentam a todo custo convencê-lo de que ele
está com escarlatina e deve permanecer em
repouso. BasÃlio sai.
FÃgaro faz a barba de Bartolo, enquanto o
conde e Rosina simulam continuar a aula de
música. O conde avisa a Rosina que Figaro
tem a chave da janela e ambos estarão ali Ã
meia-noite para ajudá-la a fugir. Bartolo
escuta, expulsa FÃgaro e o conde, e procura
Don BasÃlio para avisar de que "Don Alonso"
é um farsante. Começam a deduzir que tanto
Don Alonso quanto Lindoro são o conde
disfarçados e começam a preparar o
casamento a Rosina.
Bartolo diz a Rosina que Lindoro brinca com
seus sentimentos, e mostra a carta que ela
havia mandado, dizendo que ele planejava
sequestrá-la e levá-la ao conde Almaviva.
Rosina jura vingança e aceita casar com
Bartolo, que diz para ela se trancar no
quarto. Cai uma chuva torrencial e assim
mesmo o conde e FÃgaro entram no quarto de
Rosina. Rosina tenta expulsá-los mas o conde
logo se identifica, avisando que Lindoro
jamais existiu.
Chega o juiz de paz para celebrar o casamento
de Rosina com o conde. Basilio, chocado, é
forçado a ser testemunha do casamento e
Bartolo chega com um policial, para prender
FÃgaro e o conde, mas Almaviva se identifica
e Bartolo se dá por vencido. FÃgaro, o
conde e Rosina comemoram.
A ária mais famosa desta ópera é a ária
Largo al Factotum, cantada por FÃgaro, logo
no primeiro ato - onde, a certo ponto, ele
começa a repetir seu próprio nome rápida e
exaustivamente ("Figaro, Figaro, Figaro").
Tornou-se especialmente conhecida pelo
público leigo após um desenho do Pica-Pau,
de Walter Lantz, ambientado numa barbearia,
em que ele canta essa ária, e na produção
dos estudios da Warner Bros. como o desenho,
com o personagem Perna Longa, "O coelho de
Sevilha" Outras árias famosas são:
• Ecco ridente in cielo (ária de Almaviva,
1º ato)
• All'idea di quel metallo (dueto: Almaviva
e Figaro, 1º ato)
• Una voce poco fa (ária de Rosina, 1º
ato)
• La calunnia è un venticello (ária de
Don Basilio, 1º ato)
• Mi par d'esser colla testa (sexteto, fim
do 1º ato)
• Buona sera, mio signore (trio: Almaviva,
Figaro e Basilio, 2º ato)
• Dunque io son (dueto: Figaro e Rosina,
2º ato) Tags : Rossini Siviglia |